Domingo, Junho 15, 2008

O corpo dorme agora
Casa dessa alma agoniada
Dorme o sono sem descanso
Sonha o sonho sem paz
O corpo amadurece
Como o vinho de boa safra
Aguarda o tempo certo
Para servir e ser servido
A surpresa crescente do buquê
O verdugo do corpo espreita
O inimigo do homem especula
Uma voz em algum lugar murmura
“o pulso ainda pulsa”






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Sábado, Maio 24, 2008

Eu deveria saber
Quebrei um espelho
Quebrei dois
Quebrei três
Parti qualquer possibilidade de ver a mim
O que sou
O que se expõe
O que eu detesto
Ainda assim procurei
Nos pedaços me ver inteira
Varias vezes distorcida
Expressões de curiosidade
De despeito
De espanto
Os cacos brilham
As pontas são sedutoras
Da sedução ao corte algumas gotas
Algum veneno plúmbeo circulando
O inusitado
A ousadia
A dor
Agora me permito chorar




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Terça-feira, Abril 29, 2008

A poesia fez um acordo comigo
Afastamento
Sem litígio
Desde então o silencio se fez
Nem as rimas
Mesmo as mais óbvias
Nem elas
Paginas em branco
Vida mal passada
Trago o peito oprimido
E linhas brancas para ofertar
Concentro-me no chá que bebo
Nas mínimas coisas
Procuro associações
Resgates
O momento pede morango
Acre e doce
Vermelho intenso
Desejo encarnado
Ardendo a garganta


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Terça-feira, Abril 22, 2008

As letras foram sumindo
Assim como as palavras
As orações se afastaram
A fé tornou-se questionável
No espaço tempo do silencio
Em todos os sentidos
Na cortante ausência
No total escuro
Aqui onde sobra o silencio
Falta a paz



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Sábado, Janeiro 19, 2008

Posso colorir o vazio que me invade agora
Uma paleta cinza salpicada de rosas
Muito mais pelos espinhos
Posso falar do silencio que me norteia
E do insuportável incomodo que ele causa
Posso dizer de mim muita coisa
Não tenho certeza de todas
De tudo que sei
Sei muito pouco
Devo calar minha razão
Devo externar minha emoção
Devo isso
Devo aquilo
Devo tanta coisa
Devo
Isso é um fato
E como todo bom devedor
Pago quando puder


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Quarta-feira, Janeiro 02, 2008

Amei
Mais do que deveria amar
Cantei
Sem vergonha de desafinar
Sorri
Minha dor não importa a ninguém
Segui
Procurando razões pra ficar
E fui
Insistindo
Na minha teimosia cega
Contra o vento
Contra o tempo
À favor das impossibilidades



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Sexta-feira, Dezembro 28, 2007

Quero sair da superfície
Fechar os olhos para vertigem
Mergulhar profundamente
Deixar de lado o direito
Buscar o que desconheço
Talvez o meu melhor
Olho ao entorno
Nada do que vejo é meu
Nenhuma face
Nenhum gesto
Estranho mundo
Estranha experiência corpórea
Discurso evasivo
Palavras que se perdem
Ecos
Acenos
Vou fechando a porta
Vou cavando o túnel
Mergulhando
Invaginando
No melhor de mim
No meu avesso


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Sexta-feira, Dezembro 14, 2007

Existe uma certa elegância no que ela faz
Um cuidado no caminho
Um tom preocupado no olhar
Assim ela vai
Com seu disfarçado sorriso
Passos lentos
Sem muitas pistas
Seguindo sem ser notada...
Na próxima parada nada de ética
Que chute as lixeiras
Que bata as panelas
Que faça caretas
Que xingue bem alto
E que erga seu belo dedo médio
Não para o prazer
Por pura indignação
Banana...


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Acredito em palavras, encontros, romances...
Deveria assistir mais Tv...
Esperei o momento certo...
Entre tantos momentos que poderiam ser certos...
Ouvi coisas bonitas, agradáveis de sentir...
Esperei...
Com a paciência de quem tem uma vida inteira para esperar...
Mas os dias não são nossos...
Como são nossos os sonhos...
Não há controle em nada...
O que há é apenas desejo e uma infinita espera...
Aceitei o convite...
Entrei...
E não havia nada por lá...


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Quarta-feira, Dezembro 12, 2007

A vida vale pelas contas colhidas
Cada mínimo detalhe alcançado
Pelas ousadias cometidas
Por cada gesto transgressor
A vida vale pelos pequenos presentes
Pelas pequenas vitórias
Pela imagem gravada
De cada inesquecível por do sol
Vale pela descoberta da resposta exata
Pelo caminho do sim aprovador
Por cada milímetro avançado
Pela urdidura e pela trama
Pelos planos
Por cada maquete pintada
Acordar e dormir apenas não vale a pena
A vida vale pelos sonhos sonhados


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Domingo, Dezembro 02, 2007

Carrego as maiores alegrias
Dissimulo tristezas
Meu riso de esquina por vezes gargalha
Ou fica de prontidão
Em eterno disfarce
Em algum momento sou luz
Mas fecho os olhos em incomodo
Guardo em mim todas as cores
E a negação de todas delas
Gosto de palavras
E de todos seus apelos
Faço-me muda em descontentamento
Nem noite
Nem dia
Sou madrugada
Nem preto
Nem branco
Cinza na cor
Sou meio termo
No estado sou pó
Num rasgo de otimismo
Creio na Fênix


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Não sei muito de mim
Tudo que sei são sensações
Impressões parciais
Gestos que se perdem
Momentos suspensos no ar
Quando eu me arrastava por ai
Numa sensação de ser lagarta
Não tinha muita coisa pra pensar
Era apenas viver
Dormir, sonhar e comer
Um dia quem sabe voar...
E eu sonhei
Já não sou mais o que fui
Como estou
O que serei
Ando mais presa do que nunca
No meu casulo recriador


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Sexta-feira, Novembro 23, 2007

Impressões...

Quatro amigos cegos foram apresentados a um elefante.
O primeiro ficou perto da tromba e a apalpou longamente.
O segundo tocou uma de suas presas até sentir toda extensão.
O terceiro tateou a superfície daquela enorme pança.
O quarto correu suas mãos sensíveis pelo comprimento de uma das patas.
Após um breve tempo os cegos foram conversar a respeito das descobertas.
O cego que conheceu a tromba achou que o elefante muito parecido com uma enorme cobra
Perigoso?
O deficiente visual que tocou as presas achou engraçada aquela arvore de galho pontudo.
Machuca?
O que conheceu a barriga achou que o paquiderme era uma parede rugosa e extensa.
Estranho?
O quarto ceguinho ficou feliz em conhecer uma coluna chamada elefante.
Excitante?
Não tendo as informações inteiras
Acreditaram num elefante fracionado
Assim é a impressão do amor.
Por não ter sido perfeita amante
Apresentei-lhe as incertezas
Por ser humanamente falha
Errei infinitas vezes
Por ser pequena
Não amei o suficiente
Por ser assim como sou
Fiz você sorrir
Fiz você sofrer
Fiz você chorar
Fiz da vida uma rima rica
Fiz do amor uma rima pobre
Não sendo boa contadora de historias
Contei o maior amor do mundo
Mas você não acreditou em mim





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Quarta-feira, Outubro 24, 2007

No café da manhã
Um sorriso seu bastaria
Um dia de sol
Um dia de mar
Quanta paz
Quanta coisa pra sonhar
Tantos planos pra tecer
Tanto de mim
Tanto de nós
Seu olhar de fome bastaria
E eu reinaria com alegria
A vida que ainda vou viver



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Segunda-feira, Outubro 15, 2007

Fábula Levadinha

Havia uma festa à fantasia
Havia uma onça vestida de gata
Havia uma rata vestida de cão
Havia jogos de palavras
Havia Jogo de sedução
Havia mistério
Havia magia
E a gata pegou o cão
Rasgaram a fantasia
A gata cresceu
A rata gemeu
a gata comeu a rata
e adorou a refeição

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Sábado, Outubro 13, 2007

Acordei com um cheiro inundando a alma
A cama e a preguiça me seqüestraram
Perdi o mar
Procurei sonoridades
Murmúrios enlevados
Tantas coisas busquei
Tentei definições
Cores
Gravuras
Desejei sabores
Senti vontade de manjericão
De temperos frescos
Frutas vermelhos
Algo que só minha boca sabia
Sabia e silenciava
Queria o vento batendo no rosto
Queria abrir os braços de abraçar
Queria um abraço longo
Interminável
E um calor crescente vazando pelos poros
Queria a sensação boa dando sinais
E os questionamentos se perdendo
As palavras murmurando
Encontro de todas as águas
Corpos desaguando



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Domingo, Setembro 30, 2007

Hoje eu só queria sumir
Arrumar um lugar bem escuro e ficar
Fechar a porta
Perder as chaves
Quebrar a bússola
Rasgar os mapas
Hoje eu queria me perder
Esquecer
Enquanto o coração aperta
A cabeça pira
O mundo gira
Faz pouco
Não liga pra mim
Pra ninguém
Pra nada
Enquanto a saudade invade
A idade chega
A ampulheta quebra
E me corta os dedos
E eu sangro
Canais de dor
Rios de amor
Rios que procuram o mar
Hoje eu só queria sumir
Em qualquer córrego ficar
Virar um barquinho de papel
Mergulhar num roda moinho
Afundar
Sentir derreter
Me tornar fragmento disperso
dissolver
Hoje eu só queria
Nada mais ser...



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Domingo, Setembro 23, 2007

Pra cair é preciso levantar
Pra dormir é preciso acordar
A vida é curta
O tempo passa
O homem curva
Não tem graça essa lida
Porque?
Com calor eu me dispo
Sem você eu me visto
E a saudade nunca vai ter fim




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Sexta-feira, Setembro 14, 2007

Minha alma lírica perde espaço
Minha saúde de ferro enferruja
Meus nervos de aço destemperam
Meu coração de manteiga se liquefaz
Não sobra muita coisa
Um monte de nada fenece
Sobrou caneta e post-it
Um bilhete sem vontade na porta
Sai sem querer voltar.



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Quarta-feira, Setembro 12, 2007

Para uma mente perturbada
Mudanças se fazem necessárias
Mudar o cabelo
O estilo
A rota
As musicas que ouço
A fé que professo
Largar o velho tênis
Os livros
As poesias
Sonhar outros sonhos
Escolher outros muros
Procurar novas tatuagens
Arrumar outras cicatrizes
Para o nativo de gêmeos
Mais transpiração
Menos inspiração
Um pouco de chão e poeira de asfalto
Um coração mais duro vai ajudar



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Nome: Chiara
Cidade: Rio de Janeiro
E-mail: reggiereggis@globo.com


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